13 de julho de 2024 7:14 pm

RELATÓRIO FIGUEIREDO

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Documento que registra extermínio de povos indígenas vira peça no Incasa

O relatório desaparece supostamente queimado num incêndio e 45 anos depois ele reaparece praticamente intacto

 Se você pensa que conhece a história do Brasil é porque nunca ouviu falar do Relatório Figueiredo. Abafado pelo governo e pela mídia, ele relata as maiores atrocidades cometidas contra os povos indígenas no território brasileiro. Entre torturas, mutilações, pessoas aleijadas e mortas em decorrência dos espancamentos, além de trabalho escravo, o cárcere privado foi de longe o ato mais leve sentido pelas vítimas. O Espaço Incasa contará o que aconteceu com os índios nas décadas de 40, 50 e 60, numa peça de 60 minutos, nos dias 18 e 19 de agosto, com sessões, às 19h e 20h30, todos os dias. Será impactante!

 

Este importante documento conta com mais de sete mil páginas produzidas por Jader de Figueiredo Correia e sua equipe de três pessoas, durante a ditadura militar, a pedido do Ministro do Interior, após uma série de denúncias. São fatos silenciados até pelos próprios historiadores, onde existem poucos estudos sobre o assunto.

 

Quando o relatório foi apresentado, em 1968, representou um grande escândalo, e ganhou repercussão internacional, por se tratar de genocídio. Aí o caso é totalmente abafado e o relatório desaparece supostamente queimado num incêndio. Após 45 anos ele reaparece praticamente intacto.

 

“A repercussão do Relatório Figueiredo foi grande porque não se tratava de um caso patológico, de pessoas que eram psicopatas e que atacavam os índios, mas de pessoas normais, que tinham família, que frequentavam a igreja, tinham conta no banco e faziam carinho em seus filhos e, de repente, essas pessoas estavam envolvidas: eram grileiros, comerciantes, políticos, desembargadores, juízes, deputados, governadores, delegados e até ministros”, descreve o professor da Pós-Graduação em Memória Social da UNI-Rio, José Ribamar Bessa Freire, que atuava como jornalista numa agência de notícias que enviava matérias para todos os jornais do Brasil na época.

 

O massacre teria sido praticado principalmente por latifundiários e funcionários do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI), e dentre as inúmeras passagens brutais o instrumento de tortura mais comum era o “tronco”. “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”, descreve o relatório.

 

“Eu não tinha conhecimento e menor ideia do que era o Relatório Figueiredo. Durante a gravação da minissérie ‘O Hóspede Americano’ eu tive contato com muitos indígenas, e uma das atrizes que indiquei foi a indígena Nathalia, que durante uma cena de filmagem ela começou a me falar sobre o relatório, porque ela estuda o documento”, diz o ator e diretor da peça, André D'Lucca.

 

Após ter contato com o documento, D'Lucca fala de passagens impactantes como granadas jogadas contra os índios, conta sobre uma índia que é partida ao meio com facão e depois pendurada, de usarem metralhadoras contra eles, colocarem açúcar com estricnina (pesticida para matar ratos), darem roupas com doenças, sobrevoarem aldeias e jogarem bombas, entre outros atos com intuito de tomarem as terras dos índios para serem vendidas a preço de banana.

 

“A gente descobre que a escravidão no Brasil não acabou quando a história contada nos livros diz que acabou, com a princesa Isabel. Mentira! A escravidão dos índios, como relata o relatório, vai até a década de 60, onde trabalhavam até a morte nas fazendas dos políticos, chefes e funcionários do Serviço de Proteção ao Índio. Mas nós não sabemos quanto tempo mais isso perpetuou. É tudo muito recente e eu estou chocado por não saber disso, por ser tão abafado. É porque, quem está no poder fez isso, e são famílias que ainda estão com essas terras”, conclui D`Lucca.

 

Ainda, o autor do relatório, Jader de Figueiredo, morre numa morte misteriosa. Ele percorreu 16 mil km pelo Brasil em busca de respostas e apresenta em seu relatório toda a crueldade que o ser humano é capaz de fazer.

 

Para contar esta história o espetáculo é composto por 10 monólogos onde tem o personagem do Jader, indígenas, militares, funcionários do órgão de proteção ao índio, entre outros, que irão mostrar vários outos de vista.

 

No elenco estão os atores Adriano Miguel, Anderson Sanches, Carlos Marcoski, Celia Oliveira, Eloá Pimenta, Gustavo Pompeo, Paulo Nicacio, Wagton Douglas, Sidnei Santana e a pequena Isadora Pardal, de 10 anos.

 

A direção do espetáculo é assinada por André D`Lucca em parceria com Eloá Pimenta e Wagton Douglas.

 

Os ingressos estão sendo vendidos a R$ 40 inteira e R$ 20 meia entrada. Recomendado para maiores de 12 anos de idade. Mais informações para a compra de ingressos pelo telefone (65) 99292-9907.

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